O que são
Infecções causadas por agentes como vírus (HIV, HPV, herpes, hepatite B), bactérias (sífilis, gonorreia, clamídia) e protozoários (tricomoníase).
Descubra como funcionam as ISTs, conheça os métodos de prevenção e aprenda a cuidar da sua saúde sexual com informação confiável e sem julgamentos.
Infecções Sexualmente Transmissíveis são causadas por vírus, bactérias ou outros microrganismos que podem passar de uma pessoa para outra, principalmente pelo contato sexual sem preservativo.
Por que “IST” e não “DST”? O Ministério da Saúde adota o termo infecção em vez de doença porque uma pessoa pode ter uma infecção e transmiti-la mesmo sem apresentar sinais ou sintomas. O termo destaca a importância da testagem e da prevenção, e não só do tratamento de doenças visíveis.
Infecções causadas por agentes como vírus (HIV, HPV, herpes, hepatite B), bactérias (sífilis, gonorreia, clamídia) e protozoários (tricomoníase).
Principalmente por relações sexuais (vaginal, anal ou oral) sem preservativo. Algumas também passam pelo sangue ou de quem gesta para o bebê.
Muitas ISTs podem ficar “silenciosas” por meses ou anos. A pessoa se sente bem, mas a infecção continua presente e pode ser transmitida.
Descobrir cedo permite iniciar o tratamento, evitar complicações, interromper a cadeia de transmissão e cuidar das parcerias sexuais.
Cada infecção tem suas próprias vias. A transmissão depende da infecção e do tipo de exposição.
Relações vaginais, anais ou orais sem preservativo. Algumas ISTs (como HPV e herpes) também passam pelo contato direto pele com pele ou mucosa.
Compartilhamento de seringas, agulhas e outros objetos perfurocortantes não esterilizados. Importante para HIV e hepatite B, por exemplo.
A chamada transmissão vertical. Pode ocorrer com HIV, sífilis e hepatite B, entre outras — e é prevenida com testagem e cuidado no pré-natal.
| Infecção | Sexual / contato íntimo | Sangue | Gestação, parto ou amamentação |
|---|
Toque em “Saiba mais” para ver o guia completo de cada infecção, organizado em abas.
Importante: muitas ISTs podem ser assintomáticas. Não é possível confirmar ou descartar uma infecção apenas observando sintomas ou comparando com imagens — o diagnóstico depende de avaliação profissional e de testes.
Não existe um único método perfeito. A melhor proteção vem da combinação de estratégias — o que o Ministério da Saúde chama de prevenção combinada.
O preservativo externo (“masculino”) é colocado no pênis; o interno (“feminino”) é inserido na vagina ou no ânus. Ambos são distribuídos gratuitamente nas unidades do SUS.
Vacinas são uma forma segura e eficaz de prevenir algumas ISTs antes de qualquer exposição.
São estratégias com medicamentos antirretrovirais para prevenir a infecção pelo HIV. Ambas exigem avaliação e acompanhamento profissional e não protegem contra outras ISTs.
Uso contínuo (ou sob demanda, conforme indicação) de medicamento por pessoas com maior chance de exposição ao HIV. É oferecida pelo SUS após avaliação, com testes e consultas periódicas.
Uso de medicamentos por 28 dias após uma possível exposição (ex.: relação sem preservativo ou rompimento dele, violência sexual, acidente com material biológico). É uma urgência.
Inicie a PEP o mais rápido possível — idealmente nas primeiras horas e no máximo em até 72 horas. Procure um serviço de saúde imediatamente.
Preservativos, vacinas, testagem regular, PrEP, PEP, tratamento das pessoas vivendo com HIV e de outras ISTs, e o cuidado no pré-natal podem ser combinados de acordo com a realidade de cada pessoa. Um profissional de saúde pode ajudar a escolher as melhores estratégias para você.
Evitar uma gravidez e se proteger de infecções são objetivos diferentes. A maioria dos métodos contraceptivos faz apenas a primeira coisa.
Conjunto de métodos que ajudam a prevenir a gravidez, agindo sobre a ovulação, os espermatozoides ou o útero. Não impedem o contato com microrganismos.
Estratégias que reduzem o risco de transmissão de infecções: preservativos, vacinas, testagem, PrEP/PEP e tratamento.
Uma escolha comum é combinar o preservativo com outro método contraceptivo (como pílula, DIU ou implante). Assim, a proteção contra a gravidez fica mais eficaz e o preservativo ajuda a reduzir o risco de ISTs. Um profissional de saúde pode orientar qual método contraceptivo é adequado para você — eles não são equivalentes entre si.
A prevenção das ISTs não depende apenas do acesso à informação. Emoções, crenças, experiências, relações sociais, autoestima e condições de vida também podem influenciar as decisões relacionadas à saúde sexual.
Na Psicologia da Saúde, modelos como o de Crenças em Saúde e a Teoria do Comportamento Planejado ajudam a entender por que saber algo nem sempre basta para agir de acordo — e como fatores individuais e sociais se combinam.
Os exemplos são fictícios e servem para ilustrar conceitos. Eles não descrevem “como os jovens são”: cada pessoa vive essas experiências de um jeito.
A prevenção acontece dentro de relações: depende de diálogo, respeito e acordos. É uma responsabilidade compartilhada por todas as pessoas envolvidas — e não tarefa de uma só.
Falar de prevenção, testes e métodos contraceptivos antes do momento da relação torna as decisões mais tranquilas.
Consentimento é livre, informado, específico e pode ser retirado a qualquer momento. Silêncio ou ausência de “não” não é “sim”.
Cada pessoa tem limites próprios. Respeitá-los é uma forma de cuidado, não de rejeição.
Combinar o uso do preservativo é um acordo entre as partes, não um sinal de desconfiança.
Medo de desagradar, de perder a relação ou de parecer “careta” pode dificultar a recusa. Insistência, culpa e chantagem emocional são formas de pressão — e a responsabilidade por elas é de quem pressiona.
Ameaçar terminar, insistir depois de um “não”, controlar o celular, isolar de amigos, retirar o preservativo sem consentimento ou usar álcool e outras drogas para pressionar são sinais de coerção.
Confiança é essencial em uma relação, mas muitas ISTs não causam sintomas — uma pessoa pode ter uma infecção sem saber. Por isso, confiar e se prevenir não são opostos. Fazer testes juntos e conversar sobre preservativo pode ser uma demonstração de cuidado mútuo, e não de suspeita.
“Antes de pararmos de usar preservativo, que tal fazermos os testes juntos na UBS?”
Eles decidem juntos, com informação, e combinam como vão se prevenir enquanto aguardam os resultados.
Decisão compartilhada“Tudo bem, sem pressa. Obrigado por me dizer como você se sente.”
Quando Caio diz que ainda não se sente pronto, Davi acolhe o limite sem insistir nem demonstrar irritação.
Respeito ao limite“Você prefere o preservativo externo ou o interno? Podemos testar o que for mais confortável.”
A prevenção vira uma escolha conjunta e sem constrangimento, considerando o conforto das duas.
Responsabilidade compartilhada“Se você me amasse de verdade, não pediria camisinha.”
Associar amor à ausência de prevenção é uma forma de pressão. Cuidar da saúde não diminui o afeto.
Pressão emocional“Você já disse não três vezes, mas vai, só dessa vez…”
Insistir depois de uma recusa desrespeita a autonomia. Um “sim” obtido por cansaço ou medo não é consentimento livre.
Consentimento desrespeitadoO preservativo foi retirado durante a relação, sem que a outra pessoa soubesse ou concordasse.
Isso viola o consentimento. Quem passou por isso não tem culpa e pode buscar acolhimento e avaliação para a PEP em até 72 horas.
Coerção e violaçãoExpressar necessidades com clareza e respeito é uma habilidade que se aprende com prática. Experimente adaptar estas frases ao seu jeito de falar.
Negociar a prevenção pressupõe condições de diálogo. Diferenças de idade, dependência financeira ou emocional, ameaças e violência podem tornar essa negociação difícil ou insegura. Nesses casos, a responsabilidade não é de quem sofre a pressão.
Buscar apoio é um direito: serviços de saúde, assistência social, pessoas de confiança e canais como o Ligue 180 (Central de Atendimento à Mulher) e o Disque 100 (Direitos Humanos, inclusive de crianças e adolescentes) podem orientar.
Receber o diagnóstico de uma IST pode mexer com as emoções. Conhecer essas reações ajuda a acolhê-las — em si mesmo e nos outros.
As reações a um diagnóstico variam muito. Elas dependem da infecção, da forma como a notícia é dada, das crenças da pessoa, do apoio que ela tem e do acesso a tratamento.
Nem todas as pessoas desenvolvem sofrimento psicológico significativo: muitas se adaptam bem, especialmente quando recebem informação clara e acolhimento. Um diagnóstico de IST não é sinônimo de trauma nem de transtorno mental.
Ter uma IST não diminui o valor, a dignidade ou a capacidade de construir relacionamentos saudáveis de uma pessoa.
Toque em cada card para ver o que pode ajudar.
O sofrimento associado às ISTs nem sempre vem da infecção em si, mas do modo como a sociedade olha para quem vive com ela.
Estigma social é um processo em que uma característica de uma pessoa é desvalorizada socialmente, fazendo com que ela passe a ser vista de forma reduzida — como se aquela característica resumisse quem ela é. O sociólogo Erving Goffman descreveu o estigma como uma marca que “desacredita” a pessoa aos olhos dos outros.
No caso do HIV, o estigma foi reforçado desde os anos 1980 por associações equivocadas com grupos específicos e por julgamentos morais. Ele continua sendo uma das principais barreiras ao cuidado, segundo organizações como o UNAIDS.
Referências: Goffman (1963); Parker e Aggleton (2003).Uma crença generalizada sobre um grupo.
Exemplo“Só certo tipo de pessoa pega IST.”
Uma atitude ou avaliação baseada em julgamentos prévios.
ExemploSentir desconfiança ou desprezo por alguém ao saber que essa pessoa vive com HIV.
Um comportamento ou tratamento desigual.
ExemploExcluir alguém de um grupo, tratar de forma diferente no atendimento ou expor o diagnóstico sem consentimento.
Um pode alimentar o outro, mas não são a mesma coisa: alguém pode conhecer um estereótipo sem concordar com ele, ou ter um preconceito sem agir de forma discriminatória. A Psicologia Social estuda essas diferenças desde trabalhos clássicos como o de Gordon Allport (1954).
Um caminho possível descrito em pesquisas sobre estigma e saúde. Nem todas as pessoas passam por ele, e cada etapa pode ser interrompida.
Este fluxo é uma simplificação didática: as experiências reais são diversas e não seguem necessariamente essa ordem.
A linguagem pode reforçar ou reduzir o estigma. Algumas trocas simples tornam a comunicação mais respeitosa.
Quatro histórias fictícias para pensar sobre emoções, influências sociais e caminhos possíveis. Explore cada etapa no seu ritmo — sozinho(a) ou em grupo.
Aqui não há pontuação nem respostas certas ou erradas: o objetivo é refletir, não avaliar você.
Ter dúvidas é normal. Os serviços do SUS oferecem atendimento, ações de prevenção, testagem e tratamento conforme a necessidade e a disponibilidade local.
A porta de entrada do SUS. Oferecem consultas, preservativos, testes rápidos, vacinas e encaminhamentos.
Serviços de Assistência Especializada (SAE) acompanham pessoas vivendo com HIV, hepatites e outras ISTs, e podem oferecer PrEP e PEP.
Onde disponíveis, realizam testagem e aconselhamento de forma sigilosa, muitas vezes sem necessidade de agendamento.
Nas UBS, você pode conferir a caderneta e tomar as vacinas contra HPV e hepatite B, conforme o calendário.
Médicos, enfermeiros e outros profissionais podem orientar sobre prevenção, testes e tratamento. Na escola, converse também com professores e orientadores de confiança.
Psicólogos(as) podem ajudar a lidar com ansiedade, vergonha ou um diagnóstico. No SUS, há atendimento na atenção básica (conforme a disponibilidade local) e nos CAPS; muitas universidades oferecem clínicas-escola de Psicologia.